O poder emana dos impostos que você paga
Quem é classe média no Brasil? Se você me lê no computador do emprego, de casa ou numa lan house é, muito provavelmente, classe média. Tem, portanto, o poder de transformar a favor das suas necessidades, as realidades econômica e social ao seu redor. A curto e médio prazos. Ainda que não saiba (ou não queira) se valer de seu poder.
Mesmos exauridos pela sangria desatada dos impostos, ainda temos e-mail, telefone celular, informações, apesar de sermos condenados a uma renda cada vez mais apertada. E cada um de nós tem consciência que não dá mais para sustentar um Estado tão caro e tão corrupto.
O poder e o respeito das instituições que iremos buscar a partir dos cenários e entrevistas que apresentaremos aqui vinculará nossas atitudes com nossas insatisfações. Apoiadas numa campanha com suporte em e-mails e telefonemas até sermos respeitados pelos gestores do Estado e pela opinião pública.
Reagir à derrama fiscal (os tributos de 2006 atingiram o recorde de 38,75% do PIB) é um prato que se saboreia aos poucos. Pelas beiradas. Decidida e permanentemente. Uma reação necessária à maneira com que temos nossas economias sugadas pelos impostos por todos os poros de nossa existência social. (Veja a fúria com que os impostos se acumulam clicando em Impostômetro).
Cúmplices de um Estado caro e corrupto
O poder do Estado brasileiro se manifesta em nossas vidas através da sangria continuada de nossa renda e pelo desrespeito permanente às nossas vontades.
Arcamos, enquanto classe média, com 60% do imposto de renda das pessoas físicas e com 70% dos impostos sobre propriedade (IPVA e IPTU), segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. Ou seja, o poder do Estado brasileiro emana dos impostos que a classe média paga.
Pagamos impostos de maneira tão exaustiva que, muitas vezes, não nos sobra energia para refletir e adotar atitudes que nos ajudariam a romper com hábitos que nos transformam em cúmplices de um Estado caro e corrupto.
O poder se estabelece através de uma relação entre Estado, classes sociais e indivíduos. É um processo que se aprende enquanto se pratica. Ativa ou passivamente. Não há como escapar ao jogo do poder.
Quando, individualmente, percebemos o poder sendo exercido contra nossos interesses, apesar de repetidas vezes manifestarmos nossa vontade em eleições, ficamos impotentes. Impotência que se cristaliza, na maioria das vezes, em raiva.
Quando o exercemos coletivamente, deixamos de ser cúmplices e manifestamos nossa raiva (ou atitude) através de e-mails, telefonemas, cartas e voto. Ampliamos a vinculação com cidadãos que sofrem os mesmos descasos e agimos a favor de nossos interesses. Que se tornam coletivos. Com chances de reverter, ou melhorar, a situação a favor da classe média.
Na hora que você recebe seu salário com os descontos do Imposto de Renda e do INSS e retira do mesmo holerite a mensalidade da escola de seu filho e o pagamento do convênio médico, você sustenta o poder que te humilha.
Porque seus impostos deveriam retornar para sua família em escola e saúde de qualidade. Você pode ficar chateado e resmungar pelos cantos. Ou agir, apoiando pessoas que querem se fazer respeitadas.
Enquanto você continuar com raiva, calado e inativo, sustentará e legitimará, passivamente, o poder que lhe subtrai renda e poupança. Em 1987, as famílias de classe média no Brasil pouparam 11% da renda. Em 2003, pouparam, com esforço, 4%.
Como nos organizaremos?
Hoje com a tecnologia disponível podemos manifestar nossas vontades em vários níveis simultaneamente. Um dos seus níveis de atuação pode ser a inscrição em Poder para a Classe Média, que está disponível no blog Cenários Estratégicos Marco Roza. (Caso mude de idéia é só se desfiliar.)
O blog se vincula, por e-mail, a um banco de dados, que organizei ao longo dos anos, de jornalistas, políticos, ativistas e formadores de opinião como você. Seu apoio a “Poder para a Classe Média” estimulará a vinculação de idéias e a combinação de atitudes até que nossa sinergia nos torne coletivamente eficientes. Nossos conteúdos refletirão a atitude a favor de se recuperar o poder para a classe média.
O banco de dados de jornalistas foi pesquisado entre os profissionais mais conscientes do País, considerados a reserva moral do Brasil. Os e-mails dos políticos e servidores públicos graduados estão disponíveis nos sites oficiais. As demais pessoas, como você, só receberão mensagens caso se inscrevam e confirmem a inscrição (opt-in).
Cada cenário e entrevista publicados no blog serão repassados, eletronicamente, para todos os senadores, deputados federais e estaduais do Brasil. Chegarão aos gabinetes de prefeitos, governadores, ministros e até da Presidência da República. Com o registro de quantas pessoas compartilham a mesma indignação. Quem se inscrever receberá, semanalmente, o relatório.
Sua indicação, via e-mail, para amigos, parentes e colegas de trabalho ampliará, ainda mais, a nossa audiência.
Agiremos com a persistência e a agilidade de guerrilheiros. Sem discursos inflamados. Com o envolvimento progressivo de mais pagadores de impostos, como você, e de novas lideranças políticas que venham a nos respeitar.
O que nos unirá será a recusa de ser cúmplices de um Estado gastador e corrupto. Assumiremos, sem perder o afeto, a responsabilidade de construir um Brasil melhor, com um Estado que respeite a classe média, que o sustenta.
Prezado Marco,
Tenho lido e apreciado muito as suas manifestações sobre a responsabilidade cidadã, especialmente a relativa ao exagerado peso dos tributos, incidente sobre todas as etapas produtivas, como no presente artigo.
Há uma questão muito importante, e que tem sido omitida pelos tributaristas, a respeito da efetiva carga tributária que incide em cada uma das fases da produção ou etapas econômicas de qualquer bem ou serviço. Trata-se dos diversos tributos que já chegam compondo as várias matérias primas ou insumos ou recursos da produção. É claro que quando cito esses aspectos nos lembramos, quase que instantaneamente, dos elevados custos sociais que sobretaxa o valor dos salários dos trabalhadores (talvez seja até por isso que o programa social do governo esteja fazendo tanto sucesso; é mais interessante deixar de trabalhar do que ter uma renda ínfima, da qual um montante equivalente fica na mão (ou no bolso) do governo).
As matérias primas e os insumos (energia, comunicação, transporte, segurança, capacitação, assistência médica, etc.) chegam para compor custos de operação recheados de muitos impostos. Uma parte desses impostos, bem pequena, por sinal, é utilizada como crédito, reduzindo a carga a ser suportada pela empresa. O total desses impostos, entretanto, será totalmente repassado ao consumidor final.
Com esses comentários nos dois últimos parágrafos seria interessante buscar analisar o total de tributos que é suportado pelo consumidor de qualquer produto ou serviço. Creio que é um dos desafios insolúveis, pela enorme quantidade de variáveis possíveis de serem adotadas em cada uma das fases do processo da extração das matérias primas, geração dos insumos, do próprio processo produtivo até sua comercialização final.
Os custos financeiros dos tributos que são financiados pelo capital de giro de cada um dos participantes desse processo também não são mensuráveis facilmente. Bem como os custos administrativos elevados pela necessidade que cada contribuinte tem de controlar, apurar e pagar esses tributos. Como boa parte é feita diretamente pela Internet toda a responsabilidade e custo administrativo recai, fortemente às empresas.
Não é por outra razão que há uma quantidade enorme de brasileiros trabalhadores, honestos e leais esteja sendo seduzido pela “facilidade” com que essa forma de (des)Governo tem criado, tanto pela simples sonegação como a corrupção explicita em qualquer meio de comunicação. Nunca deu tanta vergonha de se ser Honesto!
É com muita esperança que vejo, portanto, iniciativas como esta que você propõe, como a possibilidade de deixarmos mais transparentes as verdades de cada situação e a mobilização para as mudanças necessárias. Afinal, antes de se promover as mudanças é importante conhecermos o ambiente em que estamos e qual é o melhor que desejamos.
Abraços do
Antonio Carlos
Posted by: Antonio Carlos Pedroso de Siqueira | terça-feira, 30 de janeiro de 2007 at 09:17
Marco, você sabia que o culpado somos nós mesmos. Não somos unidos, você conhece a força e o slogan de "UNIDOS JAMAIS SEREMOS VENCIDOS"? Creio que já ouviu falar desta frase, e ela soa bem agora que estamos vendo as coisas acontecerem debaixo dos nossos narizes e temos que bancar tudo isto sem reclamar, sabem porque? Porque não somos unidos! É isto mesmo, se inicializassemos uma campanha de pelo menos três dias na semana ou dois , não saindo com os nossos veículos nas ruas, fossemos à pé ou de ônibus, já seria uma resposta muito violenta aos nossos governantes e especuladores de preços, sobre estradas e sobre os aumentos dos combustíveis, concordam? Mas não precisamos esperar mais, é só cada um sintonizar-se nos acontecimentos e fazermos a nossa parte, ainda dá tempo. Temos também as despesas de telefonias fixas, moveis, energia elétrica, utilização de água , etc... poderíamos fazer uma forçinha e deixarmos de gastar um pouquinho ficando uns dois dias sem utilizar na semana , se cada um fizer isto juntando o todo dá um rombo, um buraco , fazendo com que tudo volte aos preços normais! Somos todos culpados, pois a ganância do consumismo e do protecionismo viramos avarentos, só pensamos em nós mesmos e não mais no próximo, teríamos que fazer algo em prol da humanidade que somos nós mesmos, nossos filhos, esposas e amigos, pensem um pouco e verão o que quero dizer com isto.Reflitam!!!!!!
Temos sim que sensibilizar os políticos , mas também temos uma força nas nossas mãos que se usadas farão um diferencial muito gratificante para um futuro melhor.
Posted by: Edison Nassin | quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 at 16:18
Ótimo texto, Marco Roza!
Realmente, a classe média é o combustível, a caríssima gasolina que este país precisa para funcionar (nem vou falar do álcool, nem vou falar...). Sustentamos o luxo inebriante da classe política (olha o aumento de mais de 91% dos deputados), as inúmeras obras inacabadas espalhadas por esta país e aquelas que nem saíram do papel (e algumas que, como é sabido, já tiveram suas verbas utilizadas por motivos alheios à vontade do povo!), sofremos com a falta de cultura de grande (dira "enorme") parte da população que elege "ícones" políticos da corrupção deslavada e descarada (se bem que, sei lá, acredito que quem elegeu, novamente, o ex-prefeito de São Paulo para um cargo político tão importante não é assim tããão ingnorante... parecem sim visar proteger "os seus"), falta de saúde, falta de transporte público condizente com a verdadeira realidade populacional, estradas de ferro (nosso Brasil é enorme!), precisamos de energia para sustentar o crescimento econômico, precisamos de leis eficientes, polícia competente... cara, precisamos de tudo!
Precisamos e pagamos por isso tudo, Marco, e isso, cobrado exaustivamente em forma de impostos diversos(inclusive aqueles ditos "provisórios"), infelizmente, não temos.
Não temos paz, não temos segurança, não temos tranquilidade, mas em compensação temos o boleto do IPTU para quitar em janeiro, o IPVA (mesmo sem termos estradas decentes - fora as que estão nas mãos da iniciativa privada), o IRRF descontado na folha de pagamento, temos, como você mesmo disse, a conta das escolas das crianças (e a mensalidade da faculdade particular, já que as faculdades federais são cada vez mais distantes daqueles estudantes que trabalham o dia inteiro e estudam à noite), temos tudo isso, coisa de classe média...
Ai ai... acho que nem tão média assim...
Um enorme abraço e vou, sim, participar e me filiar à sua idéia.
Ps.: o comentário acima é, como posso dizer, particular, mas diante das suas palavras, sei lá... acho que me empolguei!
Ps2.: aproveitando também o espaço, digo que postei uma idéia sua de blogar currículos lá no JB! Genial!!!
Posted by: Jornal do Blogueiro | quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 at 03:02