Estamos ainda meninos e meninas na arte de organizar nossas vontades. É por isso que os governos municipais, estaduais e federais se unem, com altíssima eficiência, contra nossos interesses de classe média.
Vamos, então, meninos e meninas, pirraçar. Além dos emails, envie para os políticos alguns rótulos de produtos que consome, anotando no verso os impostos que você paga. Veja abaixo como enviar seu protesto através de uma Carta Social, pagando apenas um centavo.
Aqui se cria imposto temporário para torná-lo permanente. Sem a preocupação mínima de dar satisfação, porque nós, meninos e meninas, só sabemos chorar pelos cantos, sem organizar nossa força social.
Se o imposto vem embutido é para manter nossa atenção dividida e enfraquecida. Se o imposto se associa ao cheque é para atingir, preferencialmente, a você que ainda consegue manter uma conta em banco.
A grande sacada dos governos é nos manter preocupados com o imposto, com a sobrevivência, com o pânico da velhice diluído desde a mais tenra idade, para a gente não ter energias e tempo hábil para organizar nossas vontades.
Pirraça organizada
Mas agora podemos pelo menos, pirraçar eletronicamente. Juntar os pequenos fragmentos de nossas vontades e raivas num ponto qualquer da web. Com o tempo, vamos ser capazes de apontar os rumos para os quais queremos que o país caminhe.
Você se lembra que recorríamos à pirraça para fazer frente à prepotência dos adultos? Vamos, agora, criar uma lista de pirraças. E encher o saco dos administradores deste país. Em todos os níveis.
Eles agem impunemente porque até o momento ainda não perceberam nossa pirraça. Estamos meninos e meninas demais. Protestamos à distância, com nossas vozes se manifestando apenas dentro de nossas casas, sufocadas que estamos na tentativa de sobreviver.
Carta social a um centavo
Além do e-mail, você pode se valer da Carta Social e enviar, por exemplo, rótulos de produtos com a anotação no verso de quanto pagou de imposto. Sua carta social deverá ter o peso máximo de 10 gramas. E você pagará apenas R$ 0,01. Isso mesmo, um centavo. Terá que ter o endereçamento manuscrito.
Para saber o quanto você paga de imposto em determinado produto, consulte a tabela disponível no site do Diário do Comércio. Documente e faça chegar até o político a sua indignação, gastando apenas um centavo.
E acredite na sua raiva. Você não está sozinho nesta cruzada contra um governo que acha muito mais fácil trair sua vontade. E se é mais fácil é porque percebe que os riscos de nos desagradar ainda são muito pequenos. Na medida em que mostrarmos, criativamente, nossa indignação, começaremos a ser percebidos. Com o tempo, otimizaremos nossa organização enquanto formadores de opinião e nossa vontade prevalecerá.
Olá Marco,
Você está sendo muito provocativo. Sei que a falta de comentários em seus artigos parece representar que todos os “meninos e meninas” estão tão ocupados chorando pelos cantos que já perderam totalmente qualquer vontade de voltarem a ter a dignidade cidadã (nossa?!? Que palavra estanha... será um arcaísmo?).
Acredito que, mais do que chorar pelos cantos e buscar a sobrevivência a qualquer custo, mesmo que a custo da dignidade pessoal, a grande maioria das pessoas encontra-se totalmente desesperançada; vivendo num ambiente desconhecido ao qual não foram preparadas para viver (e, até mesmo, para sobreviver). A grande maioria forma um grande rebanho de dóceis vaquinhas de presépio, felizes no caminhar para o matadouro, depois de terem sido completamente exauridas com todas as riquezas pessoais que possuía.
Infelizmente a classe dominante em nosso país, que tem nas mãos a classe governante que age sem qualquer escrúpulo ou um mínimo de conhecimento sobre o dano que pratica, tem adotado práticas para aumentar e tornar cada vez mais dócil a grande maioria da população. Veja que não apenas no Brasil isso está acontecendo. O meio mais pratico adotado é do divulgar e praticar, cada vez mais, o Terror, seja ele de que natureza for.
É pelo terror que a maioria se apega aos santos no céu e aos políticos na terra. É a formação de escravos com correntes e senzala virtuais, com graduação superior, pós-graduada, doutorada e etc. e tal. Estamos vendo a formação de classes de miseráveis (não importa se ricos, pobres, analfabetos ou letrados). Acabam sendo, quase todos, miseráveis na alma e na esperança. Estão deixando de pertencer a classe humana.
Com relação ao seu pedido: para começarmos a fazer pirraça, será necessário pensarmos em algo que possa ser facilmente difundido em todas as classes desses (ainda) humanos; sob pena de haver uma frustração geral (a não ser que a Globo resolva implementar a idéia por meio de seus BBB’s ou outra forma idiotizante de “cultura”.
Quem sabe se uma forma de praticarmos um pouco dessa pirraça seria a de termos conhecimento de todas as audiências públicas, que são obrigatórias, e participarmos delas de forma ativa e pró ativa? É uma boa oportunidade de questionarmos os nossos vereadores, deputados e dirigentes governamentais sobre sua forma de gestão da “coisa” pública.
Abraços do
Antonio Carlos
Posted by: Antonio Carlos Pedroso de Siqueira | terça-feira, 30 de janeiro de 2007 at 09:38