No Brasil, a cada 4 anos vão para o ralo R$ 19,2 bilhões de poupança pessoal e familiar. O dinheiro é jogado fora na tentativa bem intencionada, mas muitas vezes suicida, de se abrir um novo negócio apoiado apenas na euforia. A informação faz parte da pesquisa "FATORES CONDICIONANTES E TAXA DE MORTALIDADE DE EMPRESAS NO BRASIL", realizada através de contrato celebrado entre o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE e a Fundação Universitária de Brasília – FUBRA.
Foram pesquisadas amostras de empresas em 26 unidades da federação e no Distrito Federal, para identificar as taxas de mortalidade das empresas de pequeno porte no Brasil e nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul e os principais fatores condicionantes da mortalidade.
As conclusões de fechamento das empresas, apesar dos investimentos que exaurem as poupanças pessoal e familiar, não priorizam os impostos, juros e a situação econômica do Brasil.
A pesquisa tem entre suas conclusões o seguinte: "Os dados da pesquisa permitem concluir, reunindo respostas estimuladas e espontâneas, que as causas da alta mortalidade das empresas no Brasil estão fortemente relacionadas, em primeiro lugar, a falhas gerenciais na condução dos negócios, seguida de causas econômicas conjunturais e tributação."
E continua: "As falhas gerenciais, por sua vez, podem ser relacionadas à falta de planejamento na abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar de forma correta, previamente, dados importantes para o sucesso do empreendimento, como a existência de concorrência nas proximidades do ponto escolhido, a presença potencial de consumidores, dentre outros fatores."
Resumo da ópra: erra-se por desconsiderar os cenários estratégicos. Joga-se dinheiro fora por falta de perguntas e por não se desenvolver a reflexão necessária para entender as respostas que nos são apresentadas no mercado, seja pela concorrência, pelos nossos parceiros e até mesmo parentes que nos emprestaram um dinheirinho que nunca mais verão.
A tal ponto erramos que deixamos escapar pelo ralo o equivalente a R$ 13,5 milhões por dia ou R$ 4,8 bilhões por ano, da poupança pessoal e da família.
Espero que estes números assustadores sirvam de alerta e nos leve a apostar, de verdade, em cenários estratégicos. Refletir antes de investir.
Caro Marco,
A questão abordada é muito importante para todos nós. A questão da sustentabilidade das empresas é assunto que deveria estar na pauta de todos os governos (federal, estadual e municipal). Afinal ela é a grande geradora de emprego e riqueza ao País.
Infelizmente, mesmo organismos estruturados do Governo e da Sociedade Civil têm dado muito pouca importância a este fato. Suas ações são, meramente, de cunho político ou de exaltação de personalidades. Nada há de prático. Acresça-se a essa desinformação aos jovens empresários (sim. Alguns podem se tornar empreendedores. Na maioria das vezes, infelizmente, apenas servem para alimentar o sistema com suas suadas e pequenas economias) as orientações prestadas por contabilistas, também desinformados, de que: “a sobrevivência das pequenas empresas depende da sonegação de impostos, por serem muito altos, etc. e tal.”. Qualquer negócio, que seja concebido para gerar sobra de caixa apenas se não pagar impostos, está fadado ao fracasso. Ou, no mínimo, não pode, jamais, crescer.
Você aborda muito apropriadamente a questão das falhas gerenciais, de planejamento e estrutura necessária ao novo empreendimento. Volto a frisar que a melhor ferramenta de gestão empresarial chama-se Contabilidade, infelizmente, cada vez menos conhecida até mesmo no meio acadêmico. É por meio da contabilidade que se pode fazer o gerenciamento de qualquer atividade ou entidade (podemos estar falando de pessoa física, inclusive); pois ela oferece:
- estrutura necessária dos recursos para operar (pessoal, tecnológico e de capital de giro)
- na elaboração do Plano de Negócios, definindo a estratégia e metas a serem atingidas, temos os primeiros dados para a elaboração do Orçamento
- o Orçamento corresponde a meta futura em que desejamos estar com nossos negócios. A adaptação ao orçamento decorre das mudanças de rumo que devemos fazer para atingirmos os resultados almejados.
- o controle da Execução Orçamentária (comparação entre planejado e realizado) é feito com os registros contábeis que têm que seguir as normas mínimas necessárias para a apresentação das informações e análises aos gestores. Para que a condução seja segura é fundamental que, além da qualidade dos dados registrados haja tempestividade nas informações prestadas (se não for assim teremos, apenas, o conhecimento da razão pela qual a empresa quebrou)
- perfeito conhecimento dos tributos incidentes nas operações realizadas (qualquer benefício obtido, seja por incentivo fiscal ou prática de operações sem aderência fiscal, deve ser capitalizado. Essas sobras não podem ser utilizadas pelo empreendedor como ganho pessoal do negócio)
- sendo conhecedor do negócio o novo empresário deve avaliar se todas as métricas necessárias para avaliação de seu desempenho estão sendo adequadamente aferidas pela forma de registro escolhida. Também os controles internos devem estar detalhados e por escrito, de forma a haver uniformidade em seu seguimento. É uma forma importante, também, para se medir os riscos inerentes da operação, bem como aqueles decorrentes de processos conjunturais
- etc.
Quem sabe, se houver maior interesse dos governantes e um pouco mais de cuidado dos investidores, passaremos a ter um incremento bastante significativo em nossa poupança e riqueza interna.
Abraços do
Siqueira
Posted by: Antonio Carlos Pedroso de Siqueira | terça-feira, 30 de janeiro de 2007 at 08:57