Garimpar as moedas, que nos permitirão acumular capital emocional, está em como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor. É no salto para as vidas alheias, que só é possível a partir do ponto de apoio das nossas próprias vivências, que conseguiremos confirmar, primeiro, nossa existência. E depois, dependendo do brilho de estrelas cadentes que traçarmos entre nossas almas e as que nos rodeiam, confirmaremos nosso potencial de acumuladores de capital emocional.
Intuitiva e poeticamente já sabemos disso quando concordamos que nenhum de nós é uma ilha. Talvez, com o tempo, em função da submissão aos meios de produção recentes nos últimos 300 anos de História, que nos impôs a fragmentação de nossas vidas do contexto humano a que estamos, querendo ou não vinculados, perdemos a noção demasiadamente humana de nós mesmos e não vemos mais que é das braçadas que damos entre nós, de um lado, e as várias ilhas que nos rodeiam, e que estão ligadas com nossas almas ancestrais pela base profunda do oceano, é que geramos além do calor do abraço, o capital emocional.
Cada vez mais resgatamos a vinculação original entre nós e os outros e encurtamos de tal maneira as distâncias entre nós que de um arquipélago nos transformamos numa rede. E cada um de nós é um portal humano vinculado visceralmente aos demais portais, a ponto de pulsarmos, respirarmos e sonharmos em sincronia. E concentrarmos o mundo em cada grão de areia, que somos e, mesmo assim, confirmarmos a visão profética do poeta e místico inglês William Blake, ao ter na palma de nossas mãos a chance de acessar o infinito e o eterno.
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