Mas sorrir também é um forte componente para complementar o choro nosso de cada dia e uma excelente alavancagem para ampliar os investimentos do nosso capital emocional. O bebê que chora também ri a partir dos dois meses. Com um artifício que economiza fôlego e cria uma dependência quase que definitiva da mãe e dos adultos à sua volta.
Diferente das lágrimas que requerem artifícios ruidosos para capitalizar a atenção das pessoas ao nosso redor, o sorriso é silencioso e requer um certo refinamento (e muito treino) para se tornar eficiente. Por isso, o bebê só começa a sorrir entre os dois e três meses.
Nesta altura, já identifica os principais adultos ao seu redor, geralmente a mãe e o pai, e percebe quando estão submetidos ao seu ângulo de visão. O sorriso então se estabelece. De início, tímido. Apenas um risco no rosto relaxado e transcendente, que compartilha com os que estão ao redor, pai e mãe, o nirvana budista.
O suficiente para induzir na mãe o equivalente de uma dosagem natural de cocaína. A mãe se vicia no sorriso do bebê. "Ver o sorriso de minha filha ilumina o meu dia", registram a reação de uma mãe os autores Strathearn L, Li J, Fonagy P, Montague PR no artigo "What's in a smile? Maternal brain responses to infant facial cues".
Não é para menos. Áreas do cérebro ligadas à recompensa são estimuladas com o aumento da produção da dopamina, o neurotransmissor que estimula o sistema nervoso central, produzindo a adrenalina. Cocaína pura, injetada diretamente no sistema nervoso. Durante aquele sorriso, que se esgota em menos de 12 segundos, os gens de várias gerações se submetem, viciados, aos primeiros exercícios plenos do poder do seu capital emocional.
Nem ultrapassou a barreira dos noventa dias e você já dominava seu pequeno mundo. Na base de muito choro e de alguns sorrisos. Ainda desdentados, mas eficientes para garantir alimentação e conforto.
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